Para que servem os museus?

Para que servem os museu?[1] Para que serve o Património? Para que servem as memorias e as heranças coletivas? São questões com que gostamos de desafiar os estudantes do mestrado e doutoramento no início dos debates nas aulas. É uma forma de começar a elaborar um problema, cuja resposta no leva, normalmente por novos caminhos e viagens sobre a condição humana. Comecemos com o caso do museu.

A pergunta para que servem os museus pode parecer irrelevante. Afinal todos sabemos que um museu é um equipamento, de natureza cultural que apresenta coleções de objetos. Coleções consideradas relevantes e que devem ser preservadas e visitadas. Implica um espaço seguro e vigiado. Normalmente apresenta uma narrativa para aqueles que o visitam. Será isso para que serve um museu?

O que esperamos encontrar quanto entramos num museu?

A maioria das pessoas quando entra num museu espera encontrar uma coleção e uma história. Muitos profissionais dos museus também defendem que a função do museu a guardar os objetos em coleções e apresenta-los ao publico de acordo com certos critérios.

Assim foi a vida dos museus durante duzentos anos. Tempos de alguma estabilidade nas instituições sociais, organizadas por funções e categorias. Durante estes últimos duzentos e picos anos, assistimos ao triunfo as sociedades industriais, da economia de mercado e das suas organizações sociais. Organizações do estado, ditas públicas, e privadas que se dividem em lucrativas e não lucrativas, com as empresas e corporações a hegemonizarem a vida social. Dentro das não lucrativas encontramos todo um setor, dito social porque sendo maioritariamente associativo e corporativo, evita que a sociedade seja de mercado, embora as relações da economia de mercado se tenham consolidado como mecanismos de troca.

É essa sociedade industrial e as suas organizações que categorizou as funções sociais. Assim, temos as escolas academias e colégios, onde se desenvolve a educação formal, os hospitais onde se trata da saúde, as bibliotecas onde se arquiva livros, os teatros e os cinemas, as galerias de arte de salas de exposição, e os nossos museus. Todos sabemos o que cada uma destas organizações faz. Assim como sabemos o que as demais organizações no mercado fazem.

Nas nossas cidades, cada gavetinha ou cluster apresenta uma determinada função que contribui para o funcionamento do todo. Não sendo necessária, é suprimida ou substituída. Uma loja que não venda, na teoria económica, é um espaço que não responde as necessidades do mercado. Já na teoria geral do estado, as organizações sociais, uma vez que não se orientam pelos princípios do mercado, deverão responder a necessidades socias. Poderemos portanto pensar, que uma organização social permanecerá, porquanto subsistir a respetiva necessidade social.

Evidentemente que essas necessidades podem evoluir e transformar-se, e como tal, as organizações podem segmentar-se e especializar-se em função de várias categorias (por exemplo, no ensino: pré-primário, básico, secundário e universitário; Na Saúde: Hospitais centrais, especializados, centros de saúde; no museus; arqueologia, arte, ciência e história), que podem ser etárias, de espaço (local, regional, nacional), de hierarquia (central, regional) ou de especialidade (escolas de música, de arte, de desporto).

Ora regressando ao caso dos museus, como temos vindo a tratar, referimo-nos à sua tipologia ou categorização. Mas importa olhar para como é que as pessoas que os visitam os veem. O que esperam encontrar?

Já vimo que esperam encontrar objetos que contam uma história. Mas objetos que contam história também se encontram noutros equipamentos culturais.  O que distingue os museus dos outros equipamentos é o tipo dos objetos e a forma como contam as histórias. São objetos semioferos que estão, de certa forma, fora do tempo.

Por essa razão a maioria dos visitantes diz que em muitos casos se sentem intimidades com a solenidade do espaço. Não se pode falar alto. Em regra não se pode tocar em nada. Muitos dizem que é um espaço que não tem vida, enquanto outros dizem que é um espaço do passado. Há quem tenha o desejo de o visitar rapidamente, para sair para a rua. Parece a muitos que os museus são espaços parados no tempo e muitos perguntam onde é que está a vida do quotidiano?


[1] Aula de museologia, 2014 . Publicado em http://www.plataformamacau.com/uncategorized/para-que-servem-os-museus/

Publicado por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural Museu Afro Digital - Portugal.

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