Carlos Serra o Sociólogo Barbudo de Moçambique

Carlos Serra (-2020) foi um sociólogo Moçambicano que se destacou por desenvolver um pensamento critico e autónomo da realidade moçambicana a partir do Centro de Estudos Africanos em Maputo. O CEA criado por Aquino de Bragança e Ruth Feist nos anos apos a independência, é uma dos mais notáveis centros de pesquisa em África.

Um dos seus livros mais conhecidos “Combates pela Mentalidade Sociológica” do qual se publicaram dois volumes, constitui-se como um manual de sociologia.

Enquanto intelectual comprometido, Serra desenvolve um trabalho de observação da realidade moçambicana usando as ferramentas da sociologia clássica, de tradição fancofona.

Um dos seus mais importantes livros, a História de Moçambique, resultou dos seus trbalhos como professor de História, na cidade da Beira, onde pela primeira vez, em contexto Moçambicano, se abordaram a evolução dos sociedades africanas e, em aulas praticas levava os seus alunos ao Monte Chinhamapere para observarem in situ as pinturas rupestres.”.

Em 1975 organiza o departamento de história da Universidade Eduardo Mondlane, um dos únicos cursos que a FRELIMO manteve em funcionamento e aí elaborou o Manual de “História de Moçambique: primeiras sedentárias e o impacto dos mercadores”, uma edição então feita em fotocópia e mais tarde editado pela editora Tempo em cópia gráfica. Em 1982 será o primeiro manual da história do Pais, um trabalho em que se envolvem também uma geração de historiados, como Teresa Cruz e Silva, Borges Coelho entre outros.

Nos anos noventa, em paris, na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, completará o doutoramento em sociologia. A sua obra seguirá então influenciada por Durkheim e Touraine. De regresso a Moçambique, o seu objeto de estudo serão as representações socias. Moçambique e os moçambicanos serão devorante passados a objeto de pesquisa das praticas quotidianas na busca duma inteligibilidade sociológica. Temos como a identidade social, a mestiçagem, o conflito o os papeis socias s~~ao temas de pesquisa.

Nos anos oitenta, aborda e enfrenta as questões do racismo e da etnicidade, da escravatura e trafico de crianças, do exercício do poder. Ficará para a memória os trabalhos de pesquisa sobre a justiça popular e os linchamentos nas grandes revoltas populares em Maputo no final do século. Ficará conhecido como etnógrafo do quotidiano (Elísio Macamo), trabalho que conduzi na sua oficina de sociologia no CEA.

A partir de 2006 torna-se um blogger e escreve o Diaraio dum Sociologo, que manterá até ao seu falecimento (https://oficinadesociologia.blogspot.com/) a par com Diário dum fotógrafo, onde nos brindava com uma lente sobre a vida de Maputo.

Foi um sociólogo barbudo!

Referencias

https://www.academia.edu/42319167/As_Motiva%C3%A7%C3%B5es_dos_Outros?email_work_card=view-paper

Publicado por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural Museu Afro Digital - Portugal. Museu da Autonomia.

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