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Diversidade Cultural

XXIV – Museus Portugueses e Igualdade? (O Lugar de Portugal no Mundo VIII)

Nos dois portais anteriores, escritos a propósito do tema geral do lugar de Portugal no Mundo, analisamos o tema proposto para o Dia Internacional dos Museus que amanhã (dia 18 de Maio de celebra), a partir das questões da inclusão e diversidade.

Procuramos com essas análises trabalhar sobro os bloqueios dos discursos e narrativas em momentos de transição. Os museus, enquanto construções sociais, são casos que nos permitem caracterizar o que são e de que modo se ajustam às necessárias transformações narrativas e procedimentais.

Tenho defendido que eles já estão a acontecer e que estão acontecer fora dos museus. Não é necessário pensar a partir duma perspetiva negacionista: ou os museus mudam ou desaparecem! Estou convencido que eles, na maioria dos casos continuarão a existir nas suas atividades rotineiras e a albergar os seus profissionais dedicados. O que eu tenho vindo a defender é que é necessário pensar fora da caixa. Pensar ações que se procurem adequar aos novos mundos.

Quando em Maio de 68 os jovens insurgentes de Paris escreveram nas paredes do Louvre “Deixem o Sena atravessar o museu!”, anunciavam uma nova era. Uma era que questionava a sacralidade dos objetos recolhidos nos museus. E foi uma nova era. O musue passou a estar na comunidade, no território, desenvolveu uma Função Social, incorporou novas tecnologias, etc.

Mas o que se pretende com os museus como lugar de igualdade. O termo faz parte da famosa trilogia revolucionária setecentista (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), ainda a hoje venerada em terras francesas (e não só!).

Se a liberdade ganhou foros de alforria em todo o mundo (com algumas exceções que confirmam a regra) a questão da igualdade é talvez mais controversa. A leitura da proclamação do ICOM (em http://icom-portugal.org/2019/12/19/dia-internacional-dos-museus-2020-museus-para-a-igualdade-diversidade-e-inclusao/ )

Também não ajuda. Dá uma certa ideia que que os museus como instituições confiáveis, se estão a por em bicos de pés a afirmar que: “-Aqui estamos nós! Somos importantes! Não se esqueçam que existimos! Reconhecemos a mudança e queremos ser atores dessa mudança!”

As proclamações são importantes como afirmação de princípios. Mas nos tempos atuais, exige-se que a cada enunciado, se associe uma prática (chamemos-lhe política).

Ora a questão da Igualdade está estabilizada em termos de direitos civis. Somos todos iguais perante a lei (onde se afirma o primado política dos direitos civis, ou Lei). A questão que hoje se coloca, é que tendo esse potencial quando nascemos, nem todos temos os mesmos percurso nem acesso aos bens comuns da humanidade. Nascemos num dado contexto, e é suposto, ao longo da vida de cada um, de acordo com as suas capacidades, contribuir para o nosso bem-estar e também dos outros. Esta última questão é importante, mas não vem ao caso desenvolver. Mesmo iguais, há portante diferençaas. Diferenças que advém de múltiplos fatores.

Ora se o que se pretende é resolver as desigualdades de acesso à certos bens e serviços comuns (cultura, educação, saúde, espaço-publico, bem-estar, etc), as melhores políticas (ações) são a promoção da Equidade.

Equidade é reconhecer a diferença dentro da igualdade. Por isso, por razões de promoção da equidade, se justificam politicas de descriminação positiva, para incluir, por exemplo, comunidades marginalizadas (afro descendentes, ciganos, LGBTTT, pobres, desempregados, sem-abrigo, remediados, descrimnados, doidos, prisioneiros de crimes civis, etc.).

Talvez fosse isso que o ICOM pretendesse valorizar. Mas parece-me que estou a ter um erro de paralaxe. Ao olhar para as várias celebrações que se preparam para o próximo dia 18, não vejo nada disto a ser abordado.

Talvez estes dias não sejam para mim e para o Museu da Educação e Diversidade. Provavelmente devia mudar de assunto.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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