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XX– O Lugar da cultura (Portugal no mundo IV)

Uma busca para um lugar da cultura da autonomia da cultura portuguesa no mundo é o problema que esboçamos no último postal. Um problema impronunciável. Impronunciável, pois como escreve o nosso colega Pedro Cardoso Pereira nas suas reflexões na lista museum,

… não se pode dizer. É do foro das condições epistemológicas inerentes ao próprio processo de Conhecimento, e à própria condição ontológica do Ser-aqui-e-agora. Exige uma Transformação naquilo que hoje designamos por «Ser-Humano». Era preciso estar lá, nesse lugar-transformado, ao qual ainda não chegámos. Sermos isso que ainda não somos. Ora isso é impossível antes. Logo, não se pode pronunciar daí, desse lugar que ainda não nos aconteceu. Apenas imaginando-o o podemos conceber, mas isso não é automaticamente termos conseguido transformarmo-nos” (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/pdftQNWUNa7O1.pdf).

Ora explorar o futuro a partir do presente, ainda que esse futuro seja impronunciável, existe a tentação dos sábios de hoje o nomearem, de proclamarem aos 4 ventos os novos mundos e as auroras que o cantam. São os arautos da modernidade. Os cultores do espetáculo que prescrevem roteiros. Esse é o erro das academias e das ciências das regularidades.

Hoje, as culturas “universitárias”, que buscam a complexidade nas mutações probabilísticas, na construção de modelos incertos e caóticos, exigem uma outra cultura. Uma cultura de crescimento do pensamento crítico. Uma cultura de autonomia do sujeito.

Não é que esta sociedade do espetáculo, na era do pós-covid, não tenha condições para deixar de existir. Existirá certamente, tal como continuarão a existir muitas formas de alienação do ser e da forma.

O que estamos convictos é que este novo tempo que vivemos, de transformação, exige uma cultura de crescimento da autonomia do sujeito. Uma cultura fundada no pensamento crítico. Ou seja: a cultura portuguesa só sobreviverá nessa transformação se for crítica e autónoma.

Seremos capazes de nos reinventarmos como cultura? Se sim, esse será provavelmente o nosso novo lugar no tempo.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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