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Diversidade Cultural

O bloqueio da Lusofonia (O Lugar de Portugal no Mundo III)

Durante vários anos, talvez demasiados, procurei delimitar a relevância e alcance do conceito da “lusofonia”. Várias foram as razões que me levaram a procurar explorar o potencial desse conceito, polémico e tenso. A minha longa colaboração coma Universidade homónima terá sido uma razão prosaica. Nela encontrei vários trabalhos de colegas que abordavam essa questão. Entre os quais, um velho mestre, já desaparecido do nosso convívio (Alfredo Margarido), que num texto de 2003 falou dos “novos mitos lusófonos. Não vale a pena desenvolver o argumentário, pois dele, face ao bloqueio que me provocou, não adicionará argumentos ao necessário recentramento da conceitualização da identidade coletiva.

Também não me parece pertinente assumir uma postura prescritiva dum novo conceito, duma “impronunciabilidade”. Para isso necessitamos duma postura elicitiva.

O método elicitivo permite descobrir e criar a partir do conhecimento inato aos problemas. O conhecimento elicitivo é um conhecimento ajustado aos processos de educação para a autonomia, orientado para o processo, validado a construído a partir do contexto. Através dele (do método) procuraremos facilitar o debate sobre a cultura como fundamento da vida. Um conhecimento voltado para a vida, criativo e inovador, construído pelos sujeitos em processo.

Não opomos à Lusofonia nada. Deixamos de lado a lusotopia, enquanto lugar de enunciado. Como que parte para uma viagem, despojado de bagagem.

Uma busca pelo impronunciável!

Sendo que nesse mundo, haverá um novo lugar para essa entidade coletiva nomeada como Portugal, constituída por habitantes num território político, partilhado numa Europa em crise, partilhado por falantes em diferentes espaços, com diferentes tutelas políticas, de interesses divergentes. Uma realidade fluida em mutação. Uma cultura que se vai afirmando no mundo por via dum código linguístico, que representa um modo de ver e representar o mundo.

Não é um lugar político que buscamos, mas um lugar de cultura para a autonomia do ser que propomos como viajem.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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