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Poética da autonomia XVII – O Lugar de Portugal no Mundo

Face aos realinhamentos mundiais no início do século XXI qual serão as dinâmicas do novo mundo pós-covid 19. Já abordamos algumas tendências destas dinâmicas que caracterizamos como fluídas e instáveis, caóticas e imprevisíveis. No entanto há que ter em atenção as dinâmicas e interesses dos diversos atores.

Uma das razões da crescente complexidade nas relações internacionais tem a ver com a multiplicidade de atores. Cada vez mais, e com uma tendência crescente aos estados somam-se interesses de organizações internacionais, de empresas corporativas, de empresas regionais, e de diversas outras formas de associação de atores.

Essa reflexão será relevante para olhar para o posicionamento português de europeu. E isto porque a Europa permanece num impasse. Após a saída do Grã-Bretanha e da Crise do COVID19 ainda não decorreu tempo suficiente para entender de forma clara como se irão dar os realinhamentos interno da União. Isto é se o ciclo de tendência para a desagregação persiste, ou se é possível inverter esse ciclo e ganhar alguma coesão como entidade política significativa.

E isto afeta particularmente Portugal, pois o seu ciclo de alianças estratégicas encontra-se numa situação que obriga a repensar ou a reinventar o futuro, ou talvez não.

Vejamos: a instalação de democracia em 1974, passado o chamado período revolucionário, a as principais linhas estratégicas da ação externa do país mantiveram-se mas com alteração de dinâmicas e relevâncias. Recordemos que os três vetores – África de Língua Portuguesa, a relação transatlântica e a relação com a Europa ocidental se mantiveram, mas com uma clara inversão de prioridades. A África Lusófona perde protagonismo face à integração europeia que rapidamente se torna a relação dominante, integrando inclusive a relação Atlântica, subordinadas que foram as políticas de defesa na Europa à Aliança Atlântica.

Neste último caso, a partir da era Obama, sensivelmente após a crise 2008, verifica-se que os Estados Unidos se voltam para o oriente, desinvestindo na relação de defesa europeia, que na era Trump, se assume como um encargo exclusivamente europeu. Apesar da relação privilegiadas que se manteve com os EUA por via da Base Militar dos Açores, verifica-se uma crescente imprevisibilidade neste eixo estratégico, a que se se soma, a saída do Reino Unido da União Europeia, parceiro com que Portugal mais afinidades estratégicas mantinha no espaço europeu.

A África Lusófona, apesar da criação da CPLP no início do milénio, e do progressivo alargamento de espaços de cooperação por via da Integração Europeia, acaba por ser o vetor estratégico que maiores debilidades acumula. Basta olhar para dois fenómenos convergentes dessa perda de influências. Por um lado a união das instituições de cooperação económica com a instituição de promoção da língua, e a delegação da ação de cooperação para sociedade civil

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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