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Educação patrimonial

Poética da autonomia XVI – Um mundo chinês

É indubitável que este século XXI está a ser um mundo Chinês. Lembro-me com nostalgia dum volume da coleção “Rumos do Mundo, editada pela Cosmos, sob a Direção de Vitorino Magalhães Godinho, que disponibilizava em língua portuguesa a coleção homónima francesa, com o título O Mundo Chinês. Publicado em 2 volumes, o primeiro ainda antes de 1974. O meu para era “assinante” da obra, e como tal recebia em casa os diferentes volumes, a troco dum pagamento mensal. A obra ficava assim mais em conta. Lembro-me que nessa altura folhei com espanto o primeiro volume (porque o segundo, editado em 1975 dei-lhe pouca atenção), onde falava da ascensão da formação do Império do Meio, como mais tarde ficou conhecida a China.

Nunca fui um entusiasta das questões asiáticas. Não simpatizei, nem de perto nem de longe com as derivas maoistas. Ainda jovem, através da leitura de Marco Polo, acompanhei as aventuras da grande rota da seda, queentão ligava o oriente ao ocidente. Depois acompanhei de longe a revolução cultural chinesa, a morte do grande timoneiro, a ascensão e queda do “bando dos quatro”, a consolidação da política um regime dois sistemas, com que habilmente Deng Chiaoping acerta os “rumos do tempo chinês”. Mas lembro-me de nessas paginas me ter deslumbrado com as porcelanas e a história dessa china, em grande parte exótica.

Mais tarde, na adolescência, os restaurantes chineses de Lisboa eram baratos e exóticos, adequados para as tertúlias de amigos, que permitiam, com os seus pequenos pratos, as inevitáveis partilhas, que permitiam desfrutar de sabores, que na altura pensávamos exóticos. Ainda de aventurei em avençar com as confeções de arroz xau-xau e shop-suei na cozinha materna, sem grande sucesso.

Ainda por essa altura o oriente ia seduzindo uma geração, seja pela sua filosofia taoista (o encontro das forças do Yng e Yang), seja pela abertura aos negócios, com que uma parte dos novos empresários tentavam investir os parcos capitais acumulados na então adesão à CEE.

Em quarenta e poucos anos o Império do Meio renova o seu esplendor perdido e impõe-se nas relações internacionais com uma maneira de fazer política e muito própria. Cumpriram-se assim os vaticínios de que este século seria um século chinês. Já o é, e ainda vamos na década de 20. A influência chinesa estende-se a todo o mundo. Conhecemos as intenções chinesas de fazer a “nova rota da seda”. O famoso superavit chinês vai comprando dívidas e empresas (amarrando estados e posicionando-se nos negócios)

Avoluma-se alguns escritos sobre as ameaças da China, das suas pretensões a um papel de influência no mundo atual. Sabemos, por exemplo, que nesta pandemia, a China foi-se insinuando, não se se de forma insidiosa ou não, nos vários governos europeus, oferecendo aqui ajuda, acolá poio. Uma diplomacia ágil, face aos passos titubeantes da Europa que falhou a primeira resposta coletiva. E os sinais do perigo de dissolução, os avisos não param.

Se necessitamos de reinventar a humanidade, temos que reinventar o lugar da Europa e o Lugar da cultura.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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