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Poética da autonomia IV – Horizontes da autonomia

Abril em Portugal. Dia de liberdade e da democracia representativa. Dia inical do regime. Um dia onde um velho, desajustado e autoritário regime cai às mãos dos militares que o haviam sustentado, logo seguido dum levantamento popular, espontâneo.

O Movimento das Forças Armadas, surgirá como vencedor, com um programa democratizador, descolonizador e desenvolvimentistas. Os três D’s que o povo acabará por aclamar. Ainda que durante alguns anos, nas ruas do país se falasse e lutasse pelo “poder popular”, seria a democracia representativa, de pendor social-democrata, pró-europeia e atlantista que vingará.

Para entender Abril é necessário compreender a necessidade de Descolonizar as colónias africanas onde ao longo de uma dezena de anos, em três cenários distintos, os militares portugueses defendia, de armas na mão, uma um ideia dum Portugal multicontinental, como um produto duma história heroica. Uma ideia que se encontrava desfasada das narrativas então dominantes, dum muindo em confrontação. Um mundo bipolar. De rivalidade Leste –Oeste.

Os anos de Abril forma também anos de confrontação interna, entre partidários do Leste, do Oeste e das várias periferias que então se faziam sentir, entre terceiro-mundistas e maoistas.

Rapidamente a força das urnas delimita os campos. E os alinhamentos com a Europa determinaram uma integração na Europa, onde ao longo de mais alguns anos, digamos até à crise de 2008, o mundo passou de bipolar, para multipolar. Equilibrado em torno duma potência americana, dos seus aliados europeus unidos numa União multipolar. Uma China em Crescimento exponencial, e com um conjunto de potências médias a emergiram na arena internacional (África do Sul, Brasil, India)

A multipolaridade no entanto parecer ter-se desvanecido. A eleição de Donald Trump nos USA é um sinal que há uma nova forma de olhar o mundo. Uma forma que ao invés de se procurarem equilíbrios, se procuram e exploram fraturas.

Questões complexas que se tornam simples nas palavras moralistas e autoritárias dos populismos. Da irracionalidade que simplifica,

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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