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Poética da autonomia III –Potestas e Autorictas

Os princípios da Pedagogia Critica para a autonomia expressam-se muitas vezes como uma confrontação com a autoridade autocrática, exaltando o processo de conhecimento crítico. Isto é afirmam-se contra o exercício do poder autocrático, que se manifesta através da exibição ou afirmação da força, sem mediação da deliberação ou participação dos interessados, propondo, como alternativa, o exercício do debate em assembleia.

A pedagogia crítica para autonomia contesta o saber pelo saber, afirmado pela autoridade escolástica, contrapondo à descoberta do saber pela experiencia, pela pratica e pela tentativa erro. Há nesta pedagogia uma critica á autoridade. Vale a pena examinar esta questão mais profundamente.

A distinção ente “potestas” e “autorictas” é antiga. Os romanos fizeram bem essa distinção quando na sua atribulada história se confrontam o exercício do poder com o exercício da autoridade. Não basta deter o poder, é também necessária que seja reconhecida essa autoridade.

O vocábulo poder, que tem origem no vocábulo latino “potestas” (poder ou competência) demonstra um estado ou condição institucional. Já a palavra autoridade tem raz no verbo latino “augere”, que tem um significado genérico de (fazer crescer, o criar). Tem portante uma raz comum a autor, aquele que faz e expressa um processo. A autoridade, para os antigos romanos expressa o exercício do poder, o exemplo ou o modelo (de excelência ou capacidade de referenciação)

Weber, nos seus estudos sobre a sociologia do poder (A Política como Vicação, 1919), distinguiu três esferas de dominação na sociedade (poder): o poder tradicional (que vem das linhagens) o poder simbólico ou legal (que advém da esferas de legitimação) e o poder carismático, que advém do “carisma”. A chamada “burocracia”, um termo também introduzido na análise de Weber, é o conjunto de procedimentos com base nas normas e documentos escritos, produzidos pela dominação legal.

Regressando portanto à pedagogia para a autonomia, é fácil de entender, para além dos debates teóricos sobre o exercício do poder na sociedade (política), que há um princípio que nega a afirmação dum saber pela sua enunciação, sem que ele, num processo pedagógico, passe pelo processo de debate construtivo de ideias. O saber como uma relação criadora.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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