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Memória dum Mundo Perdido X – Ensino Critico ou Ensino para o mercado

Que respostas para a Crise do COVID 19 no campo da cultura e património? Esta crise evidencia que estamos num momento de transição para um novo mundo, e se assim for necessitaremos de novas ferramentas? Ou pelo contrário tudo isto é passageiro, e passada a crise voltamos às velhas rotinas?

Nesta altura talvez não seja possível dar uma resposta completa. Provavelmente o que vai acontecer é uma mistura das duas dinâmicas. Uma resistência das velhas instituições e dos poderes sociais aí instituídos, com as suas elites a assumirem a sua defesa; e o novo mundo a emergir, com tensões a serem resolvidas, nuns casos pelas velhas instituições, noutros casos por novas configurações organizacionais. Novas instituições ou evolução das atuais (por exemplo novos museus). E nesse jogo, serão encontrados novos equilíbrios.

O modo como podemos agora aferir essa tensão (entre o velho e o novo mundo) é procurarmos a Pedra de Toque (The touchstone). Metaforicamente a pedra de toque é um modo de aferir a adequação dum conceito ou categoria a realidade.

Nas aulas que dava aos alunos de museologia, costumava usar esta metodologia para treinar as leituras e a vivência do espaço e do tempo. Chamei-lhe na altura Árvore das Memórias: oficina de museologia social, trabalhando a poética através das cartografias do espaço, e o Kairós, ou o Espírito do Lugar (uma proposta de viagem). A tal pedra de toque, em termos de metodologia traduzia-se na aplicação das narrativas biográficas. As histórias de vida, na sua tradução da vivência de contexto, constituem a matéria-prima das narrativas museológicas produzidas.

Foi o seu uso que permitiu, por exemplo, perceber que os velhos instrumentos da museologia clássica estavam a deixar de dar resposta às questões societais contemporâneas.

Quero com isso dizer que os procedimentos operativos da museologia geral e específica (traduzida pela interação do binómio preservação-comunicação) estavam a ficar desfasados da sociedade.

Mas isso apenas nos interessa para este nosso caso, para compreender que as respostas que damos aos problemas que enfrentamos, resultam da nossa configuração mental (cognitiva, afetiva e emocional). Ou seja: do modo como fomos treinados pela escola, configuram as respostas que damos. Portanto, regressando Às minhas assunções. As respostas que as atuais elites estão a dar à Crise do COVID19, no campo da cultura e do património, resultam da sua leitura do mundo, alicerçada na sua convicção da adequação desses processos.

A minha busca ou viajem (no Brasil chama-se transito) pelos processo de construção de conhecimento das elites no campo da cultura e património tem-me permitido identificar com alguma clareza os lugares onde está a ser produzido e praticado o velho e o novo conhecimento.

Para efeitos da análise que nos interessa, categorizamos esses espaços como lugares onde se produzem “competências para o mercado” e lugares onde se produzem “competências de autonomia crítica”.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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