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Memória dum Mundo Perdido V – Modelo Europeu em Crise

Defendemos nos postais anteriores a necessidade de que as políticas culturais europeias procedam à abertura dos Cafés da Europa como o primeiro passo para enfrentar a crise do COVID19.

Tudo aponta para que a resposta à crise, em Portugal e na Europa, seja lançar dinheiro sobre o problema. Defendemos que isso não passa duma continuidade do modelo de crise europeia, agora mais evidente com a situação do CoronaVírus. Procuramos integrar a leitura dessa crise, com a ilustração de que lançar dinheiro sobre os problemas não é enfrentar os problemas.

Há que reconhecer os problemas para os enfrentar. E o problema da Europa nesta altura é sobretudo cultural. Face à crise migratória e o regresso aos nacionalismos, é necessário que a europa coloque a cultura no centro das suas políticas.

Tal como no passado se defendeu o “choque tecnológico” como forma de arrancar o país do marasmo atávico e abrir o caminho paras as novas tecnologias, será agora necessário, não um “choque cultural” que não passa de um fenómeno efémero para consumo dos planeadores, mas duma “poética cultural” que coloque a cultura no centro das práticas políticas.

A questão de uma nova poética para a cultura na Europa pode parecer mais uma retórica de café, e provavelmente sê-lo-à. Por isso nos faz faltem os Cafés na Europa.

Faz falta ultrapassar esta crise de confiança que as estruturas europeias se deixaram enlear.

Afinal, interrogam-se os cidadãos, não estamos no centro do mundo. O nosso modelo social e político não é o mais evoluído. Como é possível que tanta ciência e tantas instituições se tenham manifestado impotentes, primeiro para prever a crise e segundo para a enfrentar sem terem que tomar medidas drásticas que mais não são do que bloquear a vida vivida.

É certo que todos compreendemos que não podia ser de outro modo. Mas tal como hoje nos interrogamos como é que foi possível, nesta nossa Europa, ao longo do século XX se terem gerado conflitos que levaram ao extermínio de milhões de seres. Mas não significará isto que não temos que nos interrogar como é possível que isto nos esteja a acontecer?

Não teremos que nos reinventar para um novo mundo. Uma nova poética cultural ajustada a esse mundo.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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