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Bojan de Ingoré

Bojan é homem grande de Ingoré. Filho de dono de xão, herdou o reno por via da sia tia, rainha, que havia herdado de sua tia, e assim sucessivamente, até que no tempo dos portugueses, Chefe tinha que ser homem.

Assim, ao invés de seguir a via do servico aos fanados, foi entronado regulo. A casa da sua tia, ficou vazia. Segundo a tradição, a casa de chefe e terreno sagrado. Mesmo quando parte, o chão é dele e não serve para habitação dos vivos. Com o tempo na tabanka vão se sucedendo os filhos e as memórias ficam mais empobrecidas. Menos lembradas. Tambem o tempo vai dissolvendo a terra da casa, que se funde com a terra, consumando se a união entre os vivos, melhor a memoria dos vivos e os antepassados, que dorovante se tornam um tronco único, como o tronco da cabaceira.

Mas a casa da sua Tia Gaudência, sabe se lá porquê, foi resistindo ao tempo. Os miúdos tinham medo de lá brincar, pois dizia se que lá habitavam os fanados.

Bojam, que ainda tinha uns rudimentos da iniciação como fanado, varias vezes la foi, procurando esses espiritos. Mas sempre que ia, eles brincavam com ele. Faziam um barulho aqui, um ruido acolá E por mais rezas e fumos que queimase, Bodjan séxobseguia afastar os espiritos.

Hoje, o seu filho Djallo, chegou esbaforido a chorar, dizendo que nancasa de Gaudência, tinha ouvido vozes que lhe diziam para ir procurar o balafon sagrado.

Bojan, olhou para Djallo e lembrou-se que antes de morrer, Gaudencia lhe tinha pedido o balafon e lhe tinha cantadi uma cancao antiga, que agor lhr vinha à memoria.

Remexeu nas coisas antigas, de outros temopos, que jaziam abandonadas num canto da tabanka. Pegou no balafon e foi a velha tabanka e cantou a velha canção que a memória lhe trazia.

E, do nada surgiram os antigos. As rainhas e feiticeiros. Cantavam rm conjunto, uma dkcr melodia. Traziam vestidos os panos sagrados da família.

Comiam e bebiam sem ligar a Bodjam, que cansado de tocar para por brevea momentos. A festa fica suspensa. Gaudência, que se deatacava pela riqueza das suas idementarias, olha para Bodjam e diz lhe:

-É tempo de mudanças. Quando eu te dei o reno, cantei a canção dos tempos antigos. Sao tempo que ja passaram. Vai e canta o novos tempos….

Bodjam acorda na madrugada estermunhado. O Sol ainda nao subira no horizonte. A névoa cobria as copulas das árvores. A seu lado o Balafon fazia siar acordes, como se alguem estivesse a dedilhar cordas. De dentro da Tabanka, sai Ingoré, sua filha. Papá, papá, hoje sonhei que as estrelas que brilham são como notas da tua música.

Bodjam levanta se e de mão dada com Ingoré e Dajallo vão pela tabanka procurar o lugar do poço, onde a tradição diz que nks tempos passados ao se sentou um homem com sede e da terra a agua brotou.

Crinica da Guiné #56

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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