Categorias
Sem categoria

Jogos de rua

O futebol, ja aqui escrevemos, é um fenómeno global. Na Guiné-Bissau segue se com religiosidade o campeonato português. Há adeptos do Benfica, do Sporting, e do Porto. Em Bissau, talvez resquícios do tempo antigo, ha casas dos dois primeiros. Nao vi ainda casa so Porto, embora, nos dias dos jogos, se vejam aqui e acolá “adeptos” com t-shirts azuis e brancas.

Em Canchungo, joga-se futebol na rua. No bairro dos pescadores, na ponta oeste da vila, ao pe das pedreiras, num largo de convívio, juntam se ao fim da tarde os jovens, ja adolescentes juntam se para uma peladinha. Literalmente num campo pelado, com balizas improvisadas com troncos, despicam arduamente a bola. O calor faz suar os corpos. Alguns deixam as camisetas de lado, deixando brilhar os peitorais com o suar. Al longe, as jovens femeas passam, deixando timidos olhares de soslaio. Eles esforçam se ainda mais, talvez para ficar bem visto na fotografia, e marcar pontos no coração da dama eleita.

De quando em quando, uma motorizada interrompe o jogo. Espera se que passe. Outras vezes e uma criança na sua bicicleta. Outras vezes eu passo e param. Eu desvio me para a zona da loja do mohamed, e paro durant alguns minutos. Olha para os jogadores em ação. No geral pouca tecnica, muito entusiasmo. Tal com em qualquer outro lugar. Ha os mais jeitosos e os mais atrapalhados. Os que correm muito, os mais pausados; os que gesticulam e gritam e os mais discretos. De quando em vez um golo, entusiasma um dos lados com festejos.

Estava hoje nas minhas observações, quando de repente a turma disperssa rapida, perdendo se nas tabankas. O jogo do Benfica ia começar. Interroguei me, onde raio iam ver o jogo. Nao havia luz, pelo que teria que ser em algum sitio com gerador, e com RTP África.

O futebol une gentes e torna se progressivamente num esforço coletivo. Este campo pelado situa se no Polo de Apoio Pedagógico do Camões em Canchungo. Uma estrutura fechada, aparentemente abandonada. Como ja escrevi num outro postal, a solução para este centro talvez esteja memso a sua frente.

Crónica da Guine #38

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.