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Cabral (Crónica da Guiné XV)

O 20 de janeiro é feriado na Guiné-Bissau. Recorda se Amilcar Cabral (1924-1973) o fundador do PAIGC. Assassinado neste dia na Guiné Conackri, de onde dirigia a guerra de libertação.

Neste país, por ele desejado, embora feriado, não existem grande lembrança no espaço público. Um fim de semana prolongado deixou a cidade vazia. Ou então e mesmo assim, o modo como a lembrança funciona.

Datas são marcas do tempo. Marcas que se vão dissolvendo. Mas há, para além do tempo uma herança. Uma herança que persiste em ser disputada.

Cabral foi um homem político, protagonista dum tempo de libertação africano. Dum tempo em que África se liberta da dominação colonial, e se afirma no mundo global. Cabral foi nesse tempo um ator relevante.

Cabral é hoje, por via dessa acção uma figura de referência sobre o pensamento político africano. Os seus escritos continuam a enunciar problemas persistentes.

Não deixa de ser curioso observar, que para além da espuma dos dias, as letras pensadas e juntas por Cabral, neste português que se vai tornando Krioul, é simultaneamente um instrumento de resistência e de libertação e um lastro qua nos convoca ao passado e nos.gaz presente. Um dilema para resolver.

Eu lembro me

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.