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Um país suspenso (Crónica da Guiné XI)

A Guiné-Bissau está numa situação curiosa. Está em curso uma greve dos funcionários públicos, que decorreu, nestas duas últimas semanas de terça a quinta-feira. Na prática trabalha se apenas dois dias por semana. Como há uma influência islâmica, a sexta-feira tende a ser atividade pela metade.

A greve e contra a falta de pagamento dos salários, que acontece desde setembro. Embora escasso, em 4 meses sem salários, há menos dinheiro a circular. E claro qur a economia informal e a base que faz funcionar as coisas. O mercado do Bandim continua a fervilhar de gente. Mas na praça, as vendedeiras deixaram de vender.

Não existe na Guiné-Bissau uma classe média, de pequenos funcionarios urbanos. Existem, não sei como nomear, remediados. Gente que, não vivendo no limiar da pobreza (com menos de 15.000 Francos XOF) que serão provavelmente 95 %da população; e que não são a elite da governação (os tais 1 %, ligados aos diversos sistemas se poder). Em termos práticos Uma cerveja custa, numa tasca de rua 500 XFS. Se excluirmos os que não conseguem pagar a cerveja e os que podem beber as cervejas que quiserem temos cerca de 150.000 passoas que passaram a racionar a cerveja. Pessoas que podemos considerar como urbanas remediadas.

Isso sente-se nas ruas!

Adiciinado a isso, ou talvez fazendo parte do problema, a bizarra situação eleitoral, sobre a qual, mesmo estando em Bissau, é dificil de entender sem fontes de informação consistentes.

Passei ontem, por acaso, na sede do candidato putativamente vencedor das eleições. Aquele que na segunda volta das eleições presidenciais teve, de acordo com a CNE local mais votos. E a democracia. Por um se ganha e por um se perde. Contudo, o candidato derrotado, recorreu à justiça, denunciando uma alegada fraude na contagem de votos.

Em termos práticos. Ouve um vencedor proclamado e ha duvidas sobre o processo. Está tudo em suspenso.

Ontem, ao passar na sede do candidato vencedor, dia em que a CNE proclamou os resultados sobre os quais exiatem duvidas havia festa. Uma.festa sem gente. Suspensa.

Passei e segui, cautelosamente a ver o futebol (o sporting-benfica) na Tv. Sim aqui vê se e segue se o futebol português. Tambem o espaço parecia suspenso. Sem gente. E olhando para o ecrã também nada se via. Havia um nevoeiro que obrigou a suspender o jogo uns dez minutoa.

O estar em suspensão parece que passou a ser o estado natural.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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