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Os problemas dos Museus em XX-XX

Neste início do ano tem vindo a ser apresentadas nesta lista várias opiniões sobre o futuro dos museus. Numa delas Luís Raposo publicada no Público e aqui difundida, e uma outra ao na forma de polémica do Pedro Manuel Cardoso. No essencial tem sido a ser coerentes com as posições que aqui tem vindo a ser apresentadas.

Apesar da estima e consideração que tenho pelo Luís Raposo, pelo trabalho que tem vindo a desenvolver nos últimos 40 anos, tendo a achar que a opinião do meu colega Pedro Cardoso Pereira merece alguma atenção mais profunda.

Não é que o Luís Raposo não tenha razão em algumas das questões que levanta: a profunda e grave degradação dos recursos humanos dos museus portugueses e a desorientação estratégica dos modelos de gestão. Noutra,mais polémica, sobre a “especificidade” do equipamento social “museu”, já não terá unanimidade, na minha opinião, mas compreende-se que a assuma, como ator comprometido com a política nacional de museus.

Luís Raposo é um aristocrata esclarecido, posicionado no campo da arqueologia, que nunca embarcou em devaneios “aventureiros” sobre ações rebeldes dentro da gramática museográfica. Embora comprometido com a sociedade, a ação é moderada pela experiencia institucional. É uma posição que é de respeitar! Neste texto posiciona-se habilmente nesse mundo dos museus, com moderação e bom senso, reivindicando a sua condição de profissional de museus.

Não deixa de ser curiosas, pela diversidade de categorias que introduz no debate, os posicionamentos sobre a recente e ainda não terminada polémica sobre a definição de Museu que corre no ICOM. A sua proposta é sensata e encontra-se bem ancorada os exemplos que avança, usando o caso português como ilustração.

Usando como metáfora o texto dramático de Samuel Beckett “À Espera de Godot”, (disponível entre nós nas edições Cotovia), a solução dos desafios para os museus está, na opinião de Raposo, nos profissionais dos museus. Só com uma aposta nos profissionais se pode enfrentar os desafios do ano, o que não estando previsto no atual modelo de gestão, não deixa de poder ser possível “remediar” (como agora se diz).

Ora aqui tendo a divergir da opinião esclarecida e moderada e a juntar-me a posição de Pedro Cardoso Pereira “O maior desafio dos Museus, talvez seja, vencerem a sua vaidade e o seu egocentrismo.”. Ou seja: na minha modesta opinião o que Raposo considera como “desafio” são “problemas”: Já o foram em 2019, no anto anterior; já o eram há dez anos. Quando ao longo duma década os desafios são os mesmos, ano após ano, a questão é mais um problema.

Como resolver o problema? É sabido que um problema só se resolve quando a sua solução se encontra formulada. Ou seja. Aquilo que hoje pressentimos como falta, como caminho desejável para atingir um fim talvez esteja mal enunciado. Assim, se por hipótese considerarmos que esse não é o caminho e esses não são os fins (o objeto), então procuramos outros pontos de vista. (ultrapassamos os limites). E esse é o que nos propõe Pedro Cardoso Pereira: Tal como na metáfora de Godot, deixar de esperar que Deus se apresente à chamada, para ir para o mundo à procura da maçã que está na “árvore da vida”.

Afinal o que faz falta é reinventar-nos. Para isso necessitamos de outros museus, de outros profissionais, de outras academias e de pensar de formas diferente. Na minha opinião os novos atores com novas gramáticas afinal já estão por aí! Já se reinventaram e já operam com novas categorias. Não serão o fim dos museus tal como os conhecemos, mas terão outras formas. E esse é a discussão que vale a apena ter, como enuncia Cardoso Pereira: reunir a tribo, delimitar problemas e … saber quem tem unhas para tocar novas baladas.

Por mim estarei a experimentar as novas sonoridades urbanas em trânsitos entre o Balfon e as Tchimbilas, a promover oralidades a oriente, seguindo aqui as polémicas da tugolândia. Numa coisa contudo estou de acordo com os polemizantes: É urgente rever a formação dos profissionais do património!

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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