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Educação patrimonial

Paulo Freire (1921-1997) e a pedagogia da libertação

Pedagogia Decolonial

Paulo Freire e o seu método de conscientização contitui uma importante referencia do pensamento crítico na educação. O pensamento crítico da educação procura desenvolver a consciência da liberdade, aplicar as praticas democráticas na vida social, e educacional, e desenvolver a capacidade de criar e construir. Procura integrar de forma crítica o saber da sociedade, o saber de cada um é um ponto de partida para a criação de conhecimento. Paulo Freire é considerado uma das figuras fundadoras do pensamento pedagógico decolonial, porque nele se encontra refletido a relação entre aprendizagens significativas e relevantes. Todos dispões duma capacidade inata de saberes, que mobilizados em conjunto, produzem novos saberes e noval relações.

A sua proposta parte da ideia de complexidade da complexidade do ser humano e das suas estruturas organizadas. A sua contribuição para a operação epistemológica deriva da sua proposta de se centrar no indivíduo, enquanto componente do total, para a partir dele constituir uma ação de grupo através dos compromissos gerados. A tomada de consciência dessa totalidade é a base do crescimento do indivíduo, do reconhecimento da complexidade do mundo exterior como um processo de inter-relações dinâmicas, sobre a qual se pode interagir. Esse reconhecimento não só fornece ao indivíduo uma referência da sua identidade, como o implica na transformação da realidade onde participa.

O sujeito ao tomar consciência da sua posição face ao mundo exterior vai participar num diálogo entre ele e o objeto. A observação dum objeto influência a perceção do sujeito. Ao procurar distinguir o objeto estabelece-se diferenciações. A diferenciação da qualidade é uma distanciação onde o sujeito participa. Pelo que o resultado da observação é sempre um resultado biunívoco. O sujeito não é independente do objeto. E se ambos participam duma unidade, o movimento de um implica também o movimento do outro. Como o sujeito (humano) não pode deixar de realizar a sua missão (de ser humano), ou seja não pode deixar de agir sobre o mundo (para se alimentar, para se aquecer, para se reproduzir, se falarmos das motivações básicas, para fazer o bem, a justiça, a liberdade, a igualdade, a solidariedade ou qualquer outro valor social), cria-se uma consciência do ser. A consciência crítica é portanto simultaneamente um diálogo com o mundo onde se gera ação.

E é essa consciência ontológica de participação no mundo (como sua parte integrante) que o impele à ação. E que essa ação é também uma ação participada com todos os que com ele se inter-relacionam se influenciam mutuamente. Porque o mundo é constituído por todos os outros sujeitos ontológicos, que como ele também agem, e pelo suporte físico e temporal onde toda a ação decorre. Toda a matéria que influência é simultaneamente influenciada pela consciência que dela se tem.

É essa forma de consciência critica que permite, como diz Paulo Freire, a opção pela ação. É nessa operação, de relação do sujeito com o objeto, onde participam outros sujeitos, que abre a possibilidade de opção ação. A opção pela ação é então o primeiro momento da consciência. A consciência da sua liberdade. A opção de, em conjunto com os outros indivíduos, concertar caminhos ou objetivos, é o domínio de liberdade coletiva que é alcançado pela conscientização. A opção pela ação coletiva então a opção pela liberdade. A consciência é a sua ferramenta.

A proposta metodológica da conscientização é então a aplicação prática duma ação libertadora. Duma ação voltada para o individuo que o liberta da sua condição anterior para o transportar, em conjunto com os seus companheiros no espaço e no tempo, para a construção duma nova realidade. É nesse confronto entre a liberdade e a necessidade coletiva, que emerge a consciência da ação. Como afirmou Lourdes Pintasilgo em palavras clarividentes “Paulo Freire foi um dos primeiros pensadores a dar voz à complexidade – princípio auto-orientador da auto-organização dos sistemas – enquanto raiz da relação teórico-prática. E começou o trabalho sobre a complexidade ao nível mais alto, onde ela é irredutível a elementos simplistas – ao nível do ser humano. A sua perspetiva de conscientização parte do reconhecimento de que cada pessoa traz em si o universo inteiro – a cultura é o acrescentamento que o homem faz ao mundo que não fez. Esse reconhecimento vai, por isso, até ao ponto de postular que o processo de conquista da liberdade individual é o detonador do processo de libertação da sociedade. Perante a complexidade do ser humano, Paulo Freire tenta ver como se pode chegar até ao seu âmago para que ele se revele. É preciso que cada pessoa se torne consciente de um mundo multicasual, numa perspetiva de vida que elimina tanto a diabolização de pessoas ou fatos como a sacralização de heróis ou de acontecimentos históricos.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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