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Educação patrimonial

Psicologia do Desenvolvimento Educacional

A partir de meados do século XIX, emerge o estudo científico do desenvolvimento infantil. Fortemente influenciado pelo evolucionismo, a inteligência da criança e dos jovens adultos eram hierarquizadas em estádios, tal como se faziam com as demais espécies animais. Nos inícios do século XX, através de trabalhos de, entre outros, Sigmund Freud, Alfred Binet, James Baldwin, Henri Wallon, Lev Vygotsky, Jean Piaget, Erik Erikson etc., a psicologia de desenvolvimento altera-se. Duas linhas de pesquisa são estabelecidas. Por um lado a “ontogênese” do desenvolvimento cognitivo, visto como uma resposta de adaptação individual em relação ao meio, ou contexto do individuo; e por outro lado, por um aprofundamento do estudo das operações mentais e do cérebro, como organismo ou sistema biótico. Como invariável, o fator tempo, continua a servir de indicador da mudança. A partir de meados do século XX, a psicologia do desenvolvimento centra-se sobretudo sobre o processo na infância e adolescência, deixando os estudos sobre o envelhecimento e memória para a segunda linha de pesquisa.

A psicologia da educação associa-se à linha de estudos sobre a psicologia do desenvolvimento com base na evolução dos estados de “maturidade” cognitiva. As alterações são categorizadas em função de escalas de tempo, definindo-se tipos de operações mentais capazes de desenvolver. Os processos educativos deverão estar ajustados a essas categorias.

Na psicologia da educação encontra-se uma abordagem geral das condições de aprendizagem cognitiva e maturidade afetiva para a aquisição de determinadas competências gerais e comuns aos grupos. Por outro lado, a ausência de operações padrão ou desvios de norma, dá origem a estudos específicos sobre as descapacidades e formas de remediar. Desvios que podem ocorrer nas funções da linguagem, da audição, do afeto, das operações abstrata, das funções visuais ou motoras.

Mais recentemente as abordagens da psicologia tendem a considerar a ideia do progresso linear da aquisição de capacidades e habilidades, para considerar que o processo educativos é algo complexo, que acontece em função do ambiente e dos indivíduos em condições diferenciadas. Há um consenso na ideia que as crianças num ambiente estável, aprendem as competências relevantes, independentemente da ordem (do simples para o complexo), embora se tenha que estar atento às regressões, bloqueios ou estagnações e respetivas particularidades.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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