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A diversidade cultural das memórias e as comunidades (IV)

Qual o futuro dos museus?

Esta é uma pergunta que muitos museólogos tem feito depois de no final do século XX uma certa museologia crítica ter questionado o papel dos Museus de Etnologia na construção de narrativas coloniais. Na Bélgica em Tervureem, o Museu Real da África Central, ou em Paris com o Museu do Homem no Trocadéro são exemplos conhecidos duma certa releitura que foi feita em tantos outros museus etnográficos no norte da Europa. Uma leitura que procurou o “lugar do outro” nestes museus, tendo-se concluído que essas narrativas não eram mais admissíveis, do ponto de vista político ou do ponto de vista cultural, dando origem a uma busca de novos tipos de museus que dialoguem de forma diferente com os seus acervos.

Os museus como ícones culturais do século XIX, já não são aceitáveis como narrativas do século XXI. Desenvolveram-se a partir daqui diversas propostas de intervenção, propondo nuns casos uma maior inclusão (do outro ou de género), noutros casos como uma maior atenção à narrativas patrimoniais, propondo novos conceitos expositivos (substituição das narrativas cronológicas, por narrativas estéticas, introdução de novas tecnologias). Mas as conclusões e propostas desses trabalhos não parecem ser claras.

Um tema interessante para o entendimento dos novos museus, museus de hoje, pode ser observado pelo seu forte desenvolvimento no Oriente, na Ásia e no “Mundo do Petróleo”. Por um lado, podemos observa uma captura dos conceitos museológicos da Europa, com a construção de edifícios sumptuosos, desenhados por arquitetos famosos, com espólios diversificados de pintura moderna, europeia e cosmopolita, com narrativas estéticas inovadoras, libertadas que estão das amarras das “escolas nacionais” da tendências estéticas”. Por outro lado podemos observar que neste locais também surgem museus que frequentemente capturam modelos e profissionais europeus e americanos, sobretudo do mundo da arte, cujos profissionais circulam hoje, como modernos nómadas, entre as várias capitais da moda de arte e dos centros (Hubs) criativos.

Será que os museus do futuro estão condenados a oscilarem entre estes dois polos: entre o fascínio da arquitetura e o deslumbramento dos criadores da moda?

Se não, o que significa hoje museus e património ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento?

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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