Categorias
Billets

Museus do futuro?

Como sabemos tempos houve em que mágicos, cartomantes, feiticeiros e eram queimados na praça pública.  Confiava-se na pureza da virtude casta para a obtenção da salvação, pelo que qualquer busca do destino, forma da ordem estabelecida, era vista como pura heresia.

Entretanto os tempos mudaram e deixamos hoje à ciência a tarefa de prever ou perspectivar as tendências do futuro. Há mesmo um termo na Estratégia para o pensamento prospectivo. 

A análise prospectiva é relativamente fácil de ser executada. Basta fazer uma recolha de dados estatísticos, ao longo duma dada unidade de tempo, e prolongar a tendência, num horizonte de X anos. Não será difícil de entender que, por exemplo, numa aldeia onde não há nascimentos (uma taxa de natalidade inferior a 2,1 filhos por mulher), num dado horizonte de tempo, (3 gerações), a aldeia ficará vazia. Esse é a tendência. 

Acontece que na realidade, as tendências sofrem efeitos da sua própria tendências, que a simples sequência de series pode deixar entender ou não. Isto é: Na tal aldeia, à medida em que os jovem casais vão migrando para as cidades, ou para o estrangeiro (noutros tempos as Franças alemanhas,Áfricas e Américas) , poderá verificar-se um crescimento da tendência de desertificação. Essa tendência poderá ser contrariada por eventos ou ações. Entrs as ações podemos usar aquilo  que hoje chamamos políticas pública ativas, destinada a atrair emprego (1) a criar equipamentos (2), a criar acessibilidades (3). Os eventos já são mais difíceis de controlar, já que decorrem das dinâmicas de contexto, fora da tal aldeia. Tanto podem concorrer para a aceleração da desertificação, para a sua diminuição, ou mesmo a inversão, se por qualquer razão a tal aldeia, estando vazia e tendo disponibilidade de espaço de habitação. Estaremos perante um um cenário de crescimento, que contraria a tendência.

É pois natural em planeamento estratégico do território, ao analisar a tendências  demográficas, criar três cenários. Um de recessão, outro de contenção, e ainda um outro de expansão. Perda demográfica. manutenção do “efetivo” ou expansão demográfica. E sobre isso o planeamento prossegue com a definição do cenário desejado. A tal vontade de futuro. Ou como diria Schopenhauer a expressão da sua vontade e representação.

Para a criação do cenário desejado implica escolhas. Escolha que tenham a ver com fins e com a natureza das medidas que são necessários tomar. 

Vamos tentar aplicar estes conceitos ao Futuro dos Museus. Numa aldeia existe um museu e noutra não. Por exemplo em Castor Verde tem o Museu da ruralidade, e em Albernoa, não há museus. A solução óbvia, seria o de ter um museuem todas as aldeias. Mas sabemos que isso não é possível, tal como acontece com as bibliotecas e teatros (onde é recomendado que existam na Sede de concelho). Bem mas terão que existir museus em todas as sedes de concelho?

Para responder a essa questão teremos que responder primeiro o que é um museu, para que serve, que funções tem ou deverá ter. 

Embora o que é um museu se encontre definido pelo ICOM ( O museu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite) , sabemos que está hoje em discussão a sua reformulação  pela próprio  ICOM . A Eventualmente no próxima Assembleia Geral que decorrerá em quito no final deste ano. é bem possível que as alterações sejam pontuais ou nem se verifiquem. 

O que é relevante nesta discussão será saber até que ponto novas configurações do trabalho sobre o património vão ter acolhimento na nova definição do ICOM. Um exemplo paradigmático desta questão são os museus de cidade. A nova definição do ICOM contemplará as Galerias de arte urbana como espaço museológico, ou deixará estas expressões para o campo da “arte pública”., como até agora tem sido tratadas. 

Isto conduz-nos à questão do título sobre o entendimento sobre o que poderá ser a narrtiva e a vontade sobre o “futuro dos museus’?

Se olharmos para um museu pela sua denominação, teremos prevalência da ordem restritiva;  se olharmos pela sua conotação, poderemos almejar uma ordem subversiva. 

O futuro dos museus está na sua capacidade de serem subversivos. De serem instituições e processos capazes de acolher na sua atividade, os conteúdos patrimoniais que estão em disputa na sociedade, e de trabalhar com conteúdos que sejam susceptíveis de modificar a realidade que designam.

Sabemos que a realidade sobrevive aos nomes com que a nomeamos.  A realidade dos museus na definição do ICOM é apenas uma forma de ver essa realidade.

Felizmente há hoje múltiplas formas de ver a realidade! 

 

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.