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Politicas Culturais em Portugal V: O tempo do Cosmopolitismo (2000-2011)

O Festival “Rock in rio” que se realiza em Lisboa no ano 2000, constitui uma marca temporal deste tempo de globalização da arte e da cultura em Portugal. A Expo 98 que tinha criado uma nova cidade a oriente, teve uma programação cultural intensa e criou uma rede de contatos e colaboração cosmopolita entre programadores culturais e artistas. A circulação entre países passou a ser natural. Desenvolveram-se grandes eventos, de uma forma geral com apoio de grandes marcas comerciais. Os festivais passaram a ter, de forma tímida a princípio, mais presente para o tempo recente, marcas comerciais. Por exemplo o festival do SW passa a ter uma marca duma operadora telefónica, as Festas de Lisboa, passam a te uma marca duma cerveja.

Este tempo de globalização da arte assume em pleno a precarização do trabalho artístico criativo. Os grandes equipamentos sofreram várias vicissitudes e a crise do orçamento do Estado limita as capacidades de financiamento. Há uma erosão global das redes de aprendizagem de artes musica e de artes performativas, os modelos de financiamento variam aleatoriamente, impedindo projetos de se consolidar e de desenvolver criatividade interna. A organização da criatividade passa a seguir a lógica da burocracia do estado. O Estado Socialista perde o rumo, entre política de investimento em mega projetos, de sustentabilidade duvidosa, e apressão liberal de lançar produtos no mercado.  

A crise económica deixa marcas profundas em todas as instituições de que contraem e reduzem despesas. A lógica de externalização ganha espaço, fazendo com que tudo o que não seja “essencial” seja contratualizado com serviço. A incipiente rede de museus e os museus portugueses, por exemplo, que nunca haviam consolidado serviços educativos e recorriam a trabalho permanente precário, cessam contratos. A Fundação Gulbenkian passa por um processo de reorganização, emagrecimento, encerrando a sua Companhia de Bailado. Durante este período algumas das chamadas “indústrias culturais”, como a música, o livro e o cinema, sofrem o impacto da digitalização. O mercado do livro contrai-se e perde expressão na cidade, muito embora um ou outro evento se mantenha, como é o caso da Feira do Livro de Lisboa. A indústria discográfica praticamente desaparece, com novas formas de circulação. As galerias perdem notoriedade. O teatro passa por ajustamento, com as companhias a criarem rede de colaboração e circulação pelo país, apoiando-se em apoios municipais, procurando ultrapassar a escassez de público. Em suma o mercado contrai-se, revelando a falta de escala da produção cultural portuguesa para se manter a com dimensão internacional, com exceção de alguns artistas (como Joana Vasconcelos na arte, Manoel de Oliveira no Cinema, Siza Vieira na Arquitetura

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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