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As cidades estão vivas e a cultura e património são formas de viver a contemporaneidade (III)

Os espaços urbanos são lugares de vitalidade. Podem ser lugares de vitalidade em função das dinâmicas demográficas e económicas que se instalam. Faz- já uma trintena de anos, que o processo de desindustrialização se instalou na Europa.

No final dos anos oitenta, cidades como Londres, Manchester, Cardiff na Inglaterra sofreram com a emergência do chamado liberalismo económico e financeiros. A abertura das fronteiras e a emergência da China como espaço económico de mão-de-obra qualificada e barata levou à transferência das indústrias para o oriente. As áreas industriais despovoam-se. As docas de Londres e Cardiff. Dublin na Irlanda. Barcelona e Bilbau em Espanha. As cidade dos automóveis nos Estados Unidos, Chicago e Detroit vêm desaparecer os empregos e as empresas.

Em alguns lugares instalam-se novas dinâmicas sociais e económicas. Umas vezes por iniciativa pública em projeto imobiliários, outras vezes apenas por ocupação dos espaços vazios por iniciativa dos movimentos sociais. Lisboa e a Expo 98 será um exemplo do primeiro caso, Berlim um exemplo do segundo caso.

Na expo 98 emerge um espaço ordenado, com equipamentos clássicos urbanos. Foram pensados vários museus que não se concretizam (pavilhão de Portugal, museu da energia) um oceanário que replica o tema da expo, um Pavilhão do conhecimento que será sede dum movimento de centros de ciências, que não se assumem como museus. Não há bibliotecas nem arquivos. A memória do sítio ficou registada, mas só será exibida em fotografia no espaço público 20 anos depois (2018).

O caso de Berlim, o fim do muro, produziu um súbito esvaziar da cidade a leste, lugares que se tornam espaço de residência para jovens artista que transformam o espaço construída em espaço criativo coletivo. O negócio imobiliário chegará depois, valorizando o espaço pelas atividades que nele se desenvolvem, aproveitado o imobiliário envelhecido, que alimentam novos negócios.

O turismo, ou melhor a gentrificção do espaço urbano de Lisboa sofre atualmente a mesma especulação imobiliária. Os residentes são afastados a troco de alojamento local e para novos habitantes, jovens europeus em busca de novas experiências em ambientes urbanos. Queixam-se os moradores que os bairros perdem as suas características. Com efeito o Bairro de Alfama é hoje um bairro turístico debaixo do tema do fado. A Mouraria, um bairro que já é mais turístico debaixo do tema da interculturalidade, A Baixa Pombalina, anos a fio abandonada à espera duma classificação como “património “ que nem proprietários, nem poderem públicos desejavam, renova-se. O Bairro Alto é já zona de Boémia, tendo-se estendido para o Cais do Sodré, com a das mulheres da vida a ser substituída pela pensão do amor.

Lugares de turismo são lugares de vitalidade. Se procuramos lugares de vitalidade temos que dialogar com o fenómeno do turismo. As antigas áreas industriais tornam-se em espaços criativos. “Hub criativo” como agora a elite estrangeirada gosta de chamar a estes lugares de modernidade. Se queremos olhar para a economia criativa com base no património temos que olhar para estes fenómenos.

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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