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MANIFESTO ESTUDANTES SOCIOMUSEOLOGIA UNIVERSIDADE LUSÓFONA

Manifesto foi lido na sua versão inglesa na reunião regional do CECA, o Comité do ICOM sobre Educação e Ação Cultural que se realizou em Lisboa, na Universidade Lusófona,  nos passados dias 26 e 27 de Abril.

 

MANIFESTO

ESTUDANTES SOCIOMUSEOLOGIA UNIVERSIDADE LUSÓFONA

Os princípios de uma museologia que realmente represente uma memória popular devem atender às premissas de processos participativos. A função dos museus tem de incorporar o âmbito da educação e desenvolver atividades pedagógicas e políticas de empoderamento de sujeitos locais que são também parte considerável do património dos lugares. Um museu tem de se abrir ao diálogo para preservar, transformar e comunicar valores relacionados com a vida da população local; esse museu é aquele que disponibiliza as ferramentas de comunicação (e até a tecnologia) que promovem o  acesso e a  possibilidade de participação da comunidade. 

O museu apolítico não existe. O museu neutral não existe. O museu faz parte de um tempo e de um espaço e é fruto das relações interpessoais. Toda a narrativa, seja ela expositiva ou de outra natureza, é produto de um recorte. Logo, não é matéria inerte, o museu é orgânico, rizomático, vivo. 

Como elemento vivo, o museu deve reagir e envolver-se nos temas do mundo e, também, na vida das pessoas que fazem parte daquele museu, daquele lugar. Assim como deve representar os símbolos e objetos que tenham valor histórico e afetivo para a comunidade. 
A génese dos museus é parcial, segmentária. Ela conta a narrativa hegemônica e elitista. Poderíamos, talvez, recontar a história dos museus à sua proveniência de coleções privadas e de gabinetes de curiosidades apanágio de certos indivíduos privilegiados, endinheirados, excêntricos;  gabinetes que são depois empolados para museus com discursos oficiais, nacionais e imperiais, usados como símbolo, como marcas de poder e reafirmação de valores do poder. 

Mas hoje as experiências museais querem-se livres, deixam-se reescrever, questionam-se, incluem-se nos dilemas do tempo presente. Porque o museu pertence a todos os que afinal habitam aquela cidade, aquela vila, aquele bairro, aquela rua, aquele país, o mundo! O museu pode ser o lugar onde as pessoas encontram algo da sua história, mas é sobretudo o lugar onde as pessoas se encontram com os seus e com as suas próprias estórias, em revelações de identidade num lugar de achado.  

Uma renovada museologia, engajada, plena de gente e de vida(s), é possível, todos os dias, em novos casos que proliferam, resilientes, ora em museus locais ora em museus nacionais que desejam contar as outras histórias, com outros protagonistas, aquelas que nunca foram contadas, onde há um sem fim de gente que importa. E que se importa em contar a sua versão da realidade, a sua mirada. Muitas vezes desde a perspectiva de quem esteve as margens das grandes decisões do poder e que por essas não se sente representado. A história desta gente é a da vida de todos os amanheceres e anoiteceres que testemunham a história dos lugares.  

 Museus interventivos precisam-se, museus que rejeitem o campo da neutralidade e da 
 ambivalência social: museus de toda a gente e para toda a  gente, sem medo de participar, sem pejo em tomar posição.  

Novos museus são precisos, sem muros, mesclados com os assuntos locais e com os temas globais, museus multivocais, ilimitados ou pelo menos de fronteiras tão amplas e difusas que não se possam policiar: museus de liberdade e de ação. Desejam-se novos museus com consciência de si mesmos que ousem idealizar futuros, cenários imaginados, novas hipóteses de  sociedade. Desejam-se museus que gritem a vozes que geralmente são caladas pelos próprios museus de consenso. Desejam-se museus de conflito e dissenso. 

A discussão do CECA_ICOM não pode ser apenas sobre conceitos a usar ou não. A discussão deve abordar claramente debate do papel e da função dos museus na sociedade. E esta discussão não queremos nos isentar de propô-la. 

Em baixo versão em Castelhano e Inglês

MANIFIESTO 

ESTUDIANTES SOCIOMUSEOLOGÍA UNIVERSIDAD LUSÓFONA

Los principios de una museología que realmente represente una memoria popular deben contemplar las premisas de los procesos participativos. La función de los museos debe incorporar, en el ámbito de la educación, el desarrollo de actividades para el empoderamiento de las comunidades locales, las cuales, son patrimonio de sus lugares. Un museo debe abrirse al diálogo de preservar, transformar y comunicar valores relacionados con la vida de la población local. Ese museo es aquel que pone a disposición las herramientas de comunicación (y las tecnologías) que promueven el acceso y la posibilidad de participación de las comunidades.

El museo apolítico no existe. El museo neutral no existe. El museo hace parte de un tiempo y de un espacio y es fruto de las relaciones interpersonales. Todas las narrativas, sean expositivas o de otra naturaleza, son producto de un recorte de la realidad. Por tanto, este no es materia inerte, el museo es orgánico, rizomático, vivo.

Cómo elemento vivo, el museo debe reaccionar e involucrarse en los temas del mundo y en la vida de las colectividades que hacen parte del museo. Así como, debe representar los símbolos y objetos que tengan valor histórico y afectivo para las comunidades.

La génesis de los museos es parcial y segmentaria con una narrativa hegemónica y elitista. Podríamos, tal vez, evocar la historia de los museos a su procedencia de colecciones privadas y de gabinetes de curiosidades impulsados por ciertos individuos privilegiados, adinerados y excéntricos; gabinetes que después fueron convertidos en museos con discursos oficiales, nacionales e imperiales, usados como símbolo, como marcas para la reafirmación de los valores del poder.

Sin embargo, hoy, las experiencias museales quieren ser libres, se dejan reescribir, se cuestionan y se incluyen en los dilemas del tiempo presente. Porque el museo pertenece a todos los que habitan en aquella ciudad, villa, barrio, calle, país o ¡en el mundo! El museo puede ser el lugar donde las personas encuentran algo de su historia, además y sobre todo el lugar donde las personas se encuentran con los suyos y consigo mismo, en un espacio de develamientos y reafirmaciones de identidades.

Una renovada museología, comprometida, llena de gente y de vida (s), es posible. Cada día, hay nuevos casos que proliferan, resilientes, sea en museos locales o en museos nacionales que desean contar las otras historias, con otros protagonistas, historias de aquellas personas que nunca fueron contadas. Voces de un sinfín de gente que importa y de la cual es necesario contar su versión de la realidad, su mirada. Muchas veces personas que estuvieron en los márgenes de las grandes decisiones del poder y que en los relatos hegemónicos no se siente representadas. Las memorias de estas personas, es la de la vida de todos los amaneceres y anocheceres que testimonian la historia de los lugares.

Se precisan museos   intervenidos, museos que rechacen el campo de la neutralidad y de la ambivalencia social: museos de toda la gente y para toda la gente, sin miedo a participar y sin vergüenza en tomar posición.

Nuevos museos son necesarios, sin muros, involucrados en los asuntos locales y con los temas globales, museos multivocales, ilimitados o al menos de fronteras tan amplias y difusas que no se puedan policiar: museos de libertad y de acción. Se desean nuevos museos con conciencia de sí mismos que se atrevan a idealizar futuros, escenarios imaginados, nuevas hipótesis de la sociedad. Se desean museos que griten las voces que generalmente son calladas por los propios museos de consenso. Se desean museos de conflicto y desacuerdo.

La discusión de CECA_ICOM no puede redundar sobre usar o no ciertos conceptos, debe abordar claramente el debate sobre el papel y la función de los museos en la sociedad. Por tal motivo queremos hacer la propuesta de no eximir este punto de vista en el debate de este encuentro.

MANIFIEST SOCIOMUSEOLOGY STUDENT´S UNIVERSIDAD LUSÓFONA

The principles of a museology that really represents colective memory must meet participatory processes. The function of museums must incorporate education and develop empowerment of local people who are also part of local heritage. A museum must open itself to dialogue in order to preserve, transform and communicate values ​​related to the life of local population; the museum provides the communication tools (and even technology) that promote access and possibility of community participation.

The apolitical museum does not exist. The neutral museum does not exist. The museum is part of a time and a space and is the fruit of interpersonal relationships. All narratives, whether exibitions or other types, are products of “a cut.”, a choice. Therefore, it is not inert matter, the museum is organic, rhizomatic, alive.

As a living element, the museum must react and become involved in the themes of the world and also in lives of people who are part of that museum, of that place. Just as it should represent the symbols and objects that have historical and affective value to the community.
The genesis of the museums is partial, segmental. It tells an hegemonic and elitist narrative. We could, perhaps, retell the history of museums to their provenance of collection, private offices and curiosity cabinets, apanagio of certain privileged, rich, eccentric individuals; cabinets that are later blossomed into museums with
official, national and imperial discourses, used as symbols, as brands of power and reaffirmation of values ​​of power.

But today the museum experiences are free, they allow the experiences rewriting, museums question themselves, and they are included in the dilemmas of the present time. Because the museum belongs to all that finally inhabit a city, a village, a neighborhood, a street, a country, the world! The museum can be the a place where people find something of their history, but it is above all the place where people meet theirs and their own stories and histories, in revelations of identity in a place of discovery.

A renewed museology, engaged, full of people and life(s), is possible, every day, in new cases that proliferate, resilient, sometimes in local museums that wish to other stories, with other protagonists, those who have never been told, where there are endless people. And who cares to tell his version of reality, his look. Often from the perspective of those who have been on the margins of the great decisions of power. The history of these people is the history of life of all the dawns and dusk that witness the history of places.
Museums with social intervention are needed to reject the field of neutrality and the social ambivalence: museums of all people and for the whole people, without fear of participating, with no prejudice. New museums are accurate, new museums have no walls, the renewed  museum is mixed with local issues and  with global themes. The museums we want they are multivocal, unlimited or at least with borders which are so wide and diffuse that they can not be monitored: museums of freedom and action.

New museums are desired; new museums aware of themselves that dare to idealize futures, to imagine scenarios, to think  a new society. We need museums of conflict, dissent museums are desired.

So the discussion is not only about concepts to use or not be used. The discussion should address debate about the role and function of museums in the society. We don’t want to be out of this discussion. That’s why we are proposing this point of view, maybe a breaking point.

 

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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