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Educação e Ação Cultural

Realizou-se nos dias 26 e 27 de abril, em Lisboa, na Universidade Lusófona o a Conferência Regional CECA – “Cultural action in museums: What does it mean?” que contou com apoio da cátedra da Unesco – Educação Cultura e Diversidade Cultural

 O principal objectivo deste encontro é contribuir para discutir o conceito de acção cultural nos museus europeus e a relação entre educação e acção cultural. A ideia é reunir profissionais de museus, mediadores culturais, educadores, profissionais da educação e estudantes para discutir e contribuir com ideias sobre o significado da expressão “acção cultural”. Trata-se pois de uma ação onde  profissionais de museus, mediadores, educadores e estudantes têm oportunidade de discutir e partilhar ideias com colegas de diferentes países.

As ideias e conclusões deste encontro serão apresentadas na Conferência Anual do CECA que tem como mote: Museums, Education and Cultural Action: Between Old and New Meanings. A conferência anual será realizada em Tbilisi, na Geórgia de 24 a 27 de setembro deste ano.

Cartaz

Imagens do Encontro. – no Final Declaração dos alunos de museologia apresentado na assembleia

 

MANIFESTO ESTUDANTES SOCIOMUSEOLOGIA UNIVERSIDAD LUSÓFONA

 Os princípios de uma museologia que realmente represente uma memória popular devem atender às premissas de processos participativos. A função dos museus tem de incorporar o âmbito da educação e desenvolver atividades pedagógicas e políticas de empoderamento de sujeitos locais que são também parte considerável do património dos lugares. Um museu tem de se abrir ao diálogo para preservar, transformar e comunicar valores relacionados com a vida da população local; esse museu é aquele que disponibiliza as ferramentas de comunicação (e até a tecnologia) que promovem o  acesso e a  possibilidade de participação da comunidade.

O museu apolítico não existe. O museu neutral não existe. O museu faz parte de um tempo e de um espaço e é fruto das relações interpessoais. Toda a narrativa, seja ela expositiva ou de outra natureza, é produto de um recorte. Logo, não é matéria inerte, o museu é orgânico, rizomático, vivo.

Como elemento vivo, o museu deve reagir e envolver-se nos temas do mundo e, também, na vida das pessoas que fazem parte daquele museu, daquele lugar. Assim como deve representar os símbolos e objetos que tenham valor histórico e afetivo para a comunidade.
A génese dos museus é parcial, segmentária. Ela conta a narrativa hegemônica e elitista. Poderíamos, talvez, recontar a história dos museus à sua proveniência de coleções privadas e de gabinetes de curiosidades apanágio de certos indivíduos privilegiados, endinheirados, excêntricos;  gabinetes que são depois empolados para museus com discursos oficiais, nacionais e imperiais, usados como símbolo, como marcas de poder e reafirmação de valores do poder.

Mas hoje as experiências museais querem-se livres, deixam-se reescrever, questionam-se, incluem-se nos dilemas do tempo presente. Porque o museu pertence a todos os que afinal habitam aquela cidade, aquela vila, aquele bairro, aquela rua, aquele país, o mundo! O museu pode ser o lugar onde as pessoas encontram algo da sua história, mas é sobretudo o lugar onde as pessoas se encontram com os seus e com as suas próprias estórias, em revelações de identidade num lugar de achado.

Uma renovada museologia, engajada, plena de gente e de vida(s), é possível, todos os dias, em novos casos que proliferam, resilientes, ora em museus locais ora em museus nacionais que desejam contar as outras histórias, com outros protagonistas, aquelas que nunca foram contadas, onde há um sem fim de gente que importa. E que se importa em contar a sua versão da realidade, a sua mirada. Muitas vezes desde a perspectiva de quem esteve as margens das grandes decisões do poder e que por essas não se sente representado. A história desta gente é a da vida de todos os amanheceres e anoiteceres que testemunham a história dos lugares.

Museus interventivos precisam-se, museus que rejeitem o campo da neutralidade e da
ambivalência social: museus de toda a gente e para toda a  gente, sem medo de participar, sem pejo em tomar posição.

Novos museus são precisos, sem muros, mesclados com os assuntos locais e com os temas globais, museus multivocais, ilimitados ou pelo menos de fronteiras tão amplas e difusas que não se possam policiar: museus de liberdade e de ação. Desejam-se novos museus com consciência de si mesmos que ousem idealizar futuros, cenários imaginados, novas hipóteses de  sociedade. Desejam-se museus que gritem a vozes que geralmente são caladas pelos próprios museus de consenso. Desejam-se museus de conflito e dissenso.

A discussão do CECA_ICOM não pode ser apenas sobre conceitos a usar ou não. A discussão deve abordar claramente debate do papel e da função dos museus na sociedade. E esta discussão não queremos nos isentar de propô-la.

 

MANIFIESTO

ESTUDIANTES SOCIOMUSEOLOGÍA

UNIVERSIDAD LUSÓFONA

 

Los principios de una museología que realmente represente una memoria popular deben contemplar las premisas de los procesos participativos. La función de los museos debe incorporar, en el ámbito de la educación, el desarrollo de actividades para el empoderamiento de las comunidades locales, las cuales, son patrimonio de sus lugares. Un museo debe abrirse al diálogo de preservar, transformar y comunicar valores relacionados con la vida de la población local. Ese museo es aquel que pone a disposición las herramientas de comunicación (y las tecnologías) que promueven el acceso y la posibilidad de participación de las comunidades.

El museo apolítico no existe. El museo neutral no existe. El museo hace parte de un tiempo y de un espacio y es fruto de las relaciones interpersonales. Todas las narrativas, sean expositivas o de otra naturaleza, son producto de un recorte de la realidad. Por tanto, este no es materia inerte, el museo es orgánico, rizomático, vivo.

Cómo elemento vivo, el museo debe reaccionar e involucrarse en los temas del mundo y en la vida de las colectividades que hacen parte del museo. Así como, debe representar los símbolos y objetos que tengan valor histórico y afectivo para las comunidades.

La génesis de los museos es parcial y segmentaria con una narrativa hegemónica y elitista. Podríamos, tal vez, evocar la historia de los museos a su procedencia de colecciones privadas y de gabinetes de curiosidades impulsados por ciertos individuos privilegiados, adinerados y excéntricos; gabinetes que después fueron convertidos en museos con discursos oficiales, nacionales e imperiales, usados como símbolo, como marcas para la reafirmación de los valores del poder.

Sin embargo, hoy, las experiencias museales quieren ser libres, se dejan reescribir, se cuestionan y se incluyen en los dilemas del tiempo presente. Porque el museo pertenece a todos los que habitan en aquella ciudad, villa, barrio, calle, país o ¡en el mundo! El museo puede ser el lugar donde las personas encuentran algo de su historia, además y sobre todo el lugar donde las personas se encuentran con los suyos y consigo mismo, en un espacio de develamientos y reafirmaciones de identidades.

Una renovada museología, comprometida, llena de gente y de vida (s), es posible. Cada día, hay nuevos casos que proliferan, resilientes, sea en museos locales o en museos nacionales que desean contar las otras historias, con otros protagonistas, historias de aquellas personas que nunca fueron contadas. Voces de un sinfín de gente que importa y de la cual es necesario contar su versión de la realidad, su mirada. Muchas veces personas que estuvieron en los márgenes de las grandes

Por Pedro Pereira Leite

Dinamizador do Museu Educação Global e Diversidade Cultural
Museu Afro Digital - Portugal.

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